Escola vai a comunidade

fonte:http://www.pqarosilda.seed.pr.gov.br

Há generalizado e criminoso isolamento da escola com relação ao meio físico e social. È como se existisse secreto medo de comunicação … ainda se fala, nas escolas, sobre “o mundo lá fora”!

A escola reduz-se, assim, a caricatura da realidade, usando “modelos” e “dramatizações” em vez de usar a própria vida.

Conta-se que um professor mandou cortar o galho de uma planta que, teimosamente, entrava pela janela e o prejudicava na brilhante exposição que fazia sobre fotossíntese … (Apud Professor Mateus Ventura, Universidade do Ceará).

As plantas, os animais, os acidentes geográficos, os problemas sociais, políticos e técnicos que circundam a escola não são nela tratados, como se o desejo fosse alienar os jovens de seu meio.

Não há relação entre as instituições culturais do meio e as escolas. Os intelectuais (a inteligência atuante) nenhuma relação tem com o sistema escolar. As “modas” intelectuais não podem ser discutidas nas salas de aula.

Escritores, críticos, pintores, jornalistas, ensaistas, técnicos, cientistas, chefes de serviços técnicos, profissionais liberais, artistas de todos os ramos jamais sentem necessidade de entrar em contato com as novas gerações, nem as escolas os procuraram para enriquecer e tornar mais autêntico seu trabalho de enculturação da juventude.

Não dispondo as escolas, sequer, de elementos de dramatização da vida (banco escolar, correio escolar, escritório escolar, laboratórios escolares, etc) – estranha-se que não procurem aproveitar os elementos deste tipo existentes no meio.

Falso intelectualismo isola a escola dos tipos de atividade prevalentes no meio, desajustando a mocidade e transmitindo-lhe uma caricatura da realidade. Os jovens não sabem sequer como se produz o alimento que comem.

Sabe-se que, quanto mais cedo os jovens entram em contato com a vida, mais cedo também ganham o senso de realidade que eleva o aluno do plano lúdico em que vinha atuando para o plano do “trabalho” onde pretende integrar-se. A seriedade dos alunos de curso noturno (alunos que já trabalham) mostra claramente este problema.

Como regra, todo aluno deveria (pode ser um item do regimento interno) estagiar durante algum tempo em alguma atividade produtiva existente no meio social ou a própria escola assumir o papel de fábrica, escritório ou empresa úteis à comunidade.

Lauro de Oliveira Lima é um educador, nascido em Limoeiro do Norte, no estado do Ceará. Pioneiro no uso das teorias da Epistemologia Genética, de Jean Piaget, no Brasil, a partir da cidade de Fortaleza, através da criação do Método Psicogenético. Sua trajetória na educação brasileira é rica, tendo tido uma atuação significativa no cenário pedagógico.

Fonte: http://laurodeoliveiralima.blogspot.com.br e http://clubedeautores.com.br

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